domingo, 29 de março de 2009

♪ Stalemate - Ben's Brother .

Às vezes eu me pergunto se essa minha incompatibilidade com o mundo vai passar um dia. Sei lá, mas eu nunca me encaixei direitinho. Acho q talvez por causa do meu coração sonhador ou da minha mente estupidamente louca. Em uma sociedade estranha e prática, existe eu. Estranha, radical, fulminante, e que adora complicações. Não me enquadro. Não adianta. As coisas que eu deveria querer eu simplesmente não quero. E quando quero nunca é por tempo o suficiente. Às vezes dá a maior vontade de sumir. Sumir sem deixar rastros. Talvez ninguém sinta falta. Ou talvez sintam. Eu só precisava mudar de novo. Sempre gostei de mudanças, e depois que eu passei a ter o controle da minha vida (em tese rs) eu comecei a criar as minha mudanças. Quando tudo estava um tédio, eu mudava. Mudava de jeito, mudava de atitude, mudava de cabelo, mudava de estilo, mudava de vida. Era normal me ver fazendo algo um dia, e outro totalmente diferente em outro. Essa era eu, metamorfose ambulante, assim eu nunca me cansava da vida. Mas um dia todo mundo tem que criar raízes. Eu to criando as minhas. Nunca achei que o 'jeito Gaivota de viver' fosse durar pra sempre, mas sempre soube que não seria fácil desistir dele. Parei de vagar de galho em galho procurando um jeito novo de me aventurar. Comecei a olhar o futuro, me preocupar com ele, e o pior: planejar ele. Mas eu ainda to aprendendo a viver assim. Então acho q é normal essa insatisfação temporária com a rotina. Ta sendo cada vez mais difícil me adaptar. Mas amanhã passa. Por dentro ainda sou a mesma. Inconstante. Passional. O tipo de garota que não esquece as coisas, apenas muda de idéia. Uma em um milhão. Um dia acho uma boa o suficiente pra não precisar de mudanças. Será essa que sou hoje?


“Eu sou à esquerda de quem entra. E estremece em mim o mundo. (…) Sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. Sou um coração batendo no mundo.”
(Clarice Lispector)

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